Mulher sentada em silêncio junto a um lago, em contacto com a natureza, simbolizando a reconexão consigo mesma.

Artigo disponível em áudio no Spotify.

Há uma pergunta que poucas pessoas fazem a si próprias.

“Quando foi a última vez que me senti verdadeiramente eu?”

Não estou a falar de um momento de felicidade. Nem de um dia de férias.

Falo daquela sensação tranquila de estarmos em casa dentro de nós. De sabermos quem somos. Do que sentimos. Do que precisamos.

Para muitas pessoas, essa sensação vai desaparecendo lentamente, não acontece de um dia para o outro. É, até, quase impercetível.

Até que, um dia, percebemos que já não sabemos responder a perguntas simples.

O que me faz feliz?

O que preciso neste momento?

O que desejo verdadeiramente?

E talvez a pergunta mais difícil de todas:

Quem sou eu, para além dos papéis que desempenho?

 

A desconexão nem sempre acontece por causa de um grande acontecimento

Por vezes, nasce de um trauma ou de uma perda importante.

Mas, muitas vezes, instala-se de forma silenciosa.

Vivemos durante anos a responder ao que é esperado de nós: cuidamos dos filhos, da família, do trabalho, cumprimos horários, resolvemos problemas.

Estamos sempre disponíveis para os outros.

Até que deixamos de estar disponíveis para nós.

Não porque não nos amemos.

Mas porque deixámos de nos ouvir.

 

Quando deixamos de nos ouvir

O corpo começa, muitas vezes, a falar primeiro.

Surge um cansaço difícil de explicar.

Uma irritação constante.

A sensação de viver em piloto automático.

Uma tristeza sem motivo aparente.

Ou aquela impressão persistente de que a vida está a passar… mas nós já não estamos verdadeiramente presentes nela.

Nem sempre estes sinais significam o mesmo, e podem ter diferentes causas. Mas são, muitas vezes, um convite a parar e a perguntar-nos como estamos.

 

O que nos ensina a natureza

Na natureza, nada floresce durante todo o ano.

Há tempo para crescer. Tempo para repousar. Tempo para deixar ir. Tempo para renascer. Vês aqui as estações do ano?

Nós também fazemos parte desses ciclos.

Mas aprendemos a viver como se tivéssemos de produzir constantemente, a dar sempre mais um pouco, a ignorar o cansaço, a adiar o descanso.

Quando nos afastamos dos nossos próprios ritmos, é natural que a ligação connosco também se torne mais frágil.

 

Regressar a ti começa por um gesto simples

Muitas vezes imaginamos que precisamos de fazer grandes mudanças para nos voltarmos a encontrar.

Mas o reencontro começa de forma muito mais simples.

Começa quando páras durante alguns minutos.

Quando respiras profundamente.

Quando perguntas ao teu coração: “Como estou, hoje?”

Sem pressa e sem julgamento. Sem tentar resolver imediatamente aquilo que descobres.

Apenas ouvindo, porque é nessa escuta que começa a reconexão.

 

Um caminho de regresso

No xamanismo, acredita-se que a natureza nos recorda quem somos.

Cada estação.

Cada elemento.

Cada direção da Roda Medicinal.

Tudo nos convida a regressar ao essencial.

Talvez seja por isso que tantas pessoas sentem paz quando caminham numa floresta, observam o mar ou simplesmente se sentam em silêncio junto a uma árvore.

A natureza não nos pede que sejamos diferentes. Convida-nos apenas a recordar quem somos.

E talvez seja exatamente isso que a tua alma esteja a tentar dizer-te.

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