
Julho convida-nos a abrandar o impulso de fazer acontecer e a desenvolver uma nova capacidade: reconhecer.
Reconhecer aquilo que já está presente.
Reconhecer aquilo que nos sustenta.
Reconhecer que raramente caminhamos sozinhas.
Nem sempre o apoio surge da forma que esperamos. Por vezes manifesta-se através:
♦ de uma amizade
♦ de uma conversa
♦ de uma intuição
♦ de uma oportunidade
♦ da natureza
♦ da própria vida
Este é um mês para fortalecer a relação com a confiança.
Não uma confiança cega, mas uma confiança construída através da experiência.
A experiência de perceber que, mesmo nos momentos mais desafiantes, existe sempre algum tipo de suporte disponível.
Semana 1 — Ver o que me sustenta
Reconhecer os apoios já presentes na vida.
Semana 2 — Aprender a receber ajuda
Abrir espaço para apoio, cuidado e colaboração.
Semana 3 — Confiar mesmo sem garantias
Desenvolver confiança para além do controlo.
Semana 4 — Honrar a minha colheita
Reconhecer conquistas, aprendizagens e recursos internos.
Há momentos em que olhamos para o caminho percorrido e acreditamos que chegámos até aqui apenas pelo nosso esforço.
Mas, se observarmos com atenção, percebemos que nunca o fizemos verdadeiramente sozinhas.
Houve pessoas que nos inspiraram.
Momentos que nos fortaleceram.
A natureza que nos acolheu.
Intuições que nos orientaram.
Até os desafios trouxeram aprendizagens que hoje nos sustentam.
Esta semana é um convite para reconhecer os apoios, visíveis e invisíveis, que fazem parte do nosso caminho.
No xamanismo, a confiança nasce quando reconhecemos a teia de relações que sustenta a vida. Somos parte dessa teia e, ao mesmo tempo, somos sustentadas por ela.
Trabalhamos com:
⊕ Elemento Água — confiança, emoção e fluidez
⊕ Avó Lua — sabedoria, acolhimento e escuta
⊕ Reino Vegetal — nutrição e interdependência
⊕ Corpo Emocional — vínculo e confiança
A intenção desta semana é:
Reconhecer que sou apoiada pela vida de muitas formas.

Muitas mulheres aprenderam a cuidar, a resolver, a antecipar.
A estar disponíveis para os outros.
Mas poucas aprenderam a receber. Seja ajuda, cuidado, amor, tempo e até descanso.
No caminho xamânico, receber é reconhecer que fazemos parte de uma grande teia de relações, onde todos damos e todos recebemos.
Esta semana é um convite a observar onde ainda resistes ao apoio que a vida te oferece.
Trabalhamos com:
♥ Elemento Água — confiança, entrega e fluidez
♥ Avó Lua — acolhimento e sabedoria
♥ Reino Vegetal — interdependência e nutrição
♥ Corpo Emocional — abertura do coração
A intenção desta semana é:
Permitir-me receber o cuidado que também mereço.

Temos sempre necessidade de querer perceber tudo antes de avançar.
Gostamos de saber onde vamos chegar, como as coisas irão acontecer e quais serão os próximos passos. Essa procura por certezas dá-nos uma sensação de segurança, mesmo sabendo que a vida raramente se deixa organizar dessa forma.
Se observarmos a natureza, percebemos que ela vive numa relação diferente com o tempo. Uma semente não conhece a árvore em que se tornará. Apenas responde às condições que encontra, cresce quando chega o momento e atravessa cada estação sem antecipar a seguinte. Lindo, não é?
Também nós somos convidadas, por vezes, a viver dessa maneira.
Há fases em que não conseguimos ver o percurso completo. Apenas o passo seguinte. E talvez seja suficiente.
Confiar não significa ignorar o medo nem acreditar que tudo será fácil. Significa reconhecer que nem tudo depende de nós e que a vida continua a desenrolar-se mesmo quando não conseguimos compreender todos os seus movimentos.
Talvez a confiança não nasça da ausência de dúvidas, mas da experiência de recordar outras ocasiões em que, apesar da incerteza, encontrámos os recursos necessários para continuar.
Esta semana convida-nos precisamente a isso: recordar que já atravessámos outros momentos desconhecidos e que, de alguma forma, a vida encontrou sempre uma maneira de nos sustentar.

Reconhecer aquilo que floresceu em mim.
Vivemos muitas vezes focadas naquilo que ainda falta. É quase um hábito. Terminamos um projeto e pensamos no seguinte. Alcançamos um objetivo e, pouco depois, surge outro. Poucas vezes paramos para observar aquilo que realmente mudou.
A natureza ensina-nos outra forma de olhar para o tempo.
Quando chega a época da colheita, ninguém lamenta que o fruto ainda não seja maior. Primeiro, reconhece-se o que a terra ofereceu. Só depois se prepara um novo ciclo.
Também nós precisamos desses momentos.
Nem todas as colheitas são visíveis. Algumas acontecem em silêncio. Uma decisão tomada com mais serenidade. Uma conversa que conseguimos ter. Um limite que finalmente fomos capazes de colocar. Uma confiança que começou a crescer sem fazermos muito alarido.
São mudanças pequenas, mas é nelas que a vida se transforma.
Honrar a colheita não é acreditar que tudo está perfeito. É reconhecer que existe beleza no percurso já realizado e que cada experiência, mesmo as mais exigentes, deixou em nós algum tipo de aprendizagem.
Quando reconhecemos aquilo que já floresceu, deixamos de viver apenas à espera do próximo momento importante. Aprendemos a habitar este.
Talvez a verdadeira abundância comece precisamente aqui: na capacidade de reconhecer a riqueza que já existe na nossa vida, dentro e à nossa volta.

Julho foi um mês de confiança.
E a confiança cresce porque lhe damos tempo.
Esta última semana é um convite para não procurar mais respostas, mais práticas ou mais objetivos.
É simplesmente uma oportunidade para permanecer.
Observar como te sentes.
Reconhecer o que mudou.
E permitir que tudo aquilo que viveste durante este mês encontre o seu lugar dentro de ti.
Nem sempre precisamos de acrescentar. Por vezes, o maior gesto de cuidado é deixar amadurecer.
Deita-te de barriga para cima.
Fecha os olhos. Vais apenas respirar e relaxar completamente o teu corpo.
Ouve a música e permite-te ao descanso, sem pensar em nada. Desliga!