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Durante muito tempo acreditei que a maior dificuldade de quem se aproxima da meditação era encontrar tempo. Hoje penso que, na maioria das vezes, não é isso que acontece.

O que encontro com frequência são pessoas que chegam convencidas de que a meditação simplesmente não é para elas. Experimentaram uma ou duas vezes, sentaram-se em silêncio, fecharam os olhos e, ao fim de poucos minutos, sentiram a cabeça ainda mais cheia do que antes. Levantaram-se com a ideia de que não conseguiram e dificilmente voltaram a tentar.

 

Sempre me perguntei porque somos tão exigentes connosco neste lugar.

 

Ninguém espera aprender uma língua nova numa tarde. Ninguém imagina tocar um instrumento sem antes conhecer as suas notas. No entanto, com a meditação, esperamos sentar-nos pela primeira vez e encontrar imediatamente um estado de tranquilidade que, muitas vezes, nem sabemos descrever.

Talvez porque nos habituámos a imaginar a meditação como um exercício da mente, esquecendo-nos de que vivemos dentro de um corpo.

O corpo guarda o cansaço dos dias, a pressa, as preocupações, as horas passadas em frente ao computador, as emoções que não tiveram espaço para ser vividas. Quando finalmente nos sentamos em silêncio, tudo isso continua lá. Não porque estejamos a fazer alguma coisa mal, mas porque faz parte de nós.

Foi essa compreensão que, ao longo dos anos, transformou a forma como conduzo as minhas aulas.

Raramente começamos pela meditação.

Primeiro damos atenção ao corpo!

Movemo-nos devagar, respiramos com intenção, alongamos as zonas onde a tensão se acumula e permitimos que o ritmo do dia abrande naturalmente. Ou, no caso das aulas da manhã, que o dia comece de forma calma. Não procuramos uma postura perfeita nem um desempenho especial. Apenas criamos condições para que o corpo deixe de pedir tanta atenção.

Quando isso acontece, a meditação deixa de parecer um desafio.

Não que os pensamentos tenham desaparecido, mas porque já não ocupam todo o espaço.

A natureza lembra-nos constantemente que nada acontece antes do seu tempo. Uma árvore não floresce porque alguém lhe pede. Primeiro cria raízes, fortalece o tronco e só depois abre espaço para as flores.

Também nós precisamos desse tempo!

É por isso que gosto da expressão Movimento Consciente. O movimento não é um aquecimento antes da meditação, nem um complemento da aula. Faz parte da prática. Ajuda-nos a reconhecer o corpo como um aliado e não como um obstáculo.

Ao longo das semanas, muitas pessoas descobrem que afinal conseguiam meditar. Apenas precisavam de encontrar uma forma que respeitasse o seu ritmo.

É esse o propósito destas aulas: criar um espaço onde cada pessoa possa regressar a si própria sem a pressão de corresponder a uma ideia de como a meditação deveria ser.

 

Se sentes curiosidade, mas continuas a acreditar que “não consegues meditar”, talvez não seja a meditação que precise de mudar.

Talvez apenas ainda não tenhas encontrado a forma certa de começar.

 

Convite

As aulas de Meditação & Movimento Consciente decorrem online, em direto, e também podem ser acompanhadas posteriormente através da gravação.

Se procuras uma prática simples, que respeite o ritmo do teu corpo e que possa ser integrada no teu dia a dia, será um gosto receber-te.

Artigo disponível em áudio no Spotify.

Há uma ideia que se instalou discretamente na forma como vivemos. Acreditamos que, para cuidar de nós, precisamos de encontrar tempo. Um tempo que, quase sempre, parece existir apenas num futuro ideal: quando o trabalho acalmar, quando os filhos crescerem, quando as preocupações forem menores ou quando a vida deixar de ser tão exigente.

Enquanto esse momento não chega, vamos adiando aquilo que, no fundo, sabemos que nos faz bem.

É curioso observar que isto acontece em tantas áreas da vida, mas torna-se particularmente evidente quando falamos de espiritualidade. Quantas vezes começamos uma prática com entusiasmo, convencidos de que, desta vez, será diferente? Meditamos durante alguns dias, lemos um livro que nos inspira, fazemos um pequeno ritual, escrevemos num diário. Sentimo-nos mais presentes, mais tranquilos, mais próximos de nós. Depois, quase sem darmos conta, a rotina volta a ocupar todo o espaço e aquilo que nos fazia bem fica para trás.

Quando isso acontece, é fácil concluir que nos faltou disciplina ou força de vontade. Durante muito tempo, também pensei que essa fosse a explicação. Hoje olho para esta realidade de outra forma.

A espiritualidade não floresce porque somos disciplinados. Floresce quando encontra um lugar na nossa vida.

A natureza ajuda-nos a compreender isto com uma simplicidade desarmante. Nenhuma árvore cresce porque fez um esforço extraordinário. Cresce porque encontra as condições certas: a terra que a sustenta, a água que a alimenta, a luz que a orienta e o tempo necessário para se desenvolver. Se lhe faltar um destes elementos, o crescimento torna-se mais difícil. Não porque a árvore tenha falhado, mas porque o equilíbrio foi interrompido.

Talvez connosco aconteça o mesmo.

Muitas vezes procuramos grandes transformações quando, na realidade, precisamos apenas de criar espaço para pequenos gestos que se repetem com naturalidade. Uma meditação de dez minutos. Um momento de silêncio antes de começar o dia. Um passeio na natureza sem destino nem pressa. Uma pausa para respirar profundamente antes de responder a uma situação difícil.

São gestos simples. Tão simples que, por vezes, duvidamos da sua importância. No entanto, é precisamente essa continuidade discreta que vai moldando a forma como nos relacionamos connosco, com os outros e com a vida.

Há outro aspeto que me parece importante e de que falamos pouco.

Vivemos numa cultura que valoriza o extraordinário. Procuramos experiências intensas, retiros transformadores, momentos que nos façam sentir que tudo mudou de um dia para o outro. Essas experiências podem ser profundamente importantes e abrir portas dentro de nós. Mas, se não encontrarem lugar no quotidiano, acabam por se tornar apenas uma bonita recordação.

A verdadeira transformação acontece quando aquilo que compreendemos começa, pouco a pouco, a fazer parte da forma como vivemos.

É por isso que gosto tanto da imagem dos ciclos da natureza. Não há pressa na primavera para chegar ao verão. O inverno não resiste quando chega o momento de partir. Cada estação oferece aquilo que lhe pertence e prepara, silenciosamente, a seguinte. Talvez a espiritualidade seja mais parecida com este movimento do que com uma sucessão de experiências extraordinárias.

Não precisamos de estar constantemente à procura de algo novo. Muitas vezes, basta regressar ao essencial.

Também acredito que ninguém cresce completamente sozinho. Há momentos em que precisamos apenas de um espaço que nos recorde aquilo que é importante. Um lugar onde possamos parar, refletir e voltar a centrar-nos, sem a pressão de ter de fazer mais ou de sermos melhores.

Quando existe esse espaço, a prática deixa de ser uma obrigação. Passa a fazer parte da vida, da mesma forma que aprendemos a respeitar os ciclos da natureza ou a reconhecer o valor de um momento de silêncio.

Talvez seja essa a maior aprendizagem: compreender que a espiritualidade não é mais uma tarefa para acrescentar à agenda. É uma forma de estar. E essa forma de estar constrói-se aos poucos, através de pequenas escolhas que, repetidas ao longo do tempo, acabam por transformar a relação que temos connosco e com o mundo.

 

Um convite

Se sentes vontade de aprofundar esta forma de viver, talvez não precises de procurar mais informação. Talvez precises apenas de um espaço onde possas regressar, mês após mês, ao essencial.

O Clube Sabedoria Ancestral nasceu precisamente com esse propósito. Ao longo do ano, acompanhamos os ciclos da natureza, as luas e a Roda Medicinal através de reflexões, meditações, práticas corporais e pequenos rituais que ajudam a integrar esta sabedoria na vida quotidiana.

Mais do que aprender novos conceitos, é um convite para viver cada estação com maior presença e consciência, respeitando o ritmo único de cada pessoa.

Sabe mais sobre o Clube Sabedoria Ancestral aqui.

Artigo disponível em áudio no Spotify.

Vivemos rodeados de estímulos:

O despertador toca.

O telemóvel pede atenção.

As mensagens acumulam-se.

As tarefas sucedem-se.

E, muitas vezes, chegamos ao final do dia com a sensação de que estivemos ocupadas… mas não verdadeiramente presentes.

O silêncio tornou-se raro.

Não apenas o silêncio à nossa volta. Também o silêncio dentro de nós.

 

O silêncio não é ausência

Quando falamos de silêncio, é comum imaginarmos um lugar isolado, sem ruído, longe de tudo.

Mas o verdadeiro silêncio não depende apenas do que acontece à nossa volta.

É um espaço interior.

Um lugar onde, por alguns instantes, deixamos de responder às exigências do mundo para voltarmos a ouvir-nos.

Mesmo que o dia continue cheio. Mesmo que a vida não abrande.

 

Não precisas de uma hora livre

Uma das crenças mais comuns é pensar que cuidar de nós exige muito tempo.

Mas a reconexão começa em pequenos gestos.

Três respirações conscientes antes de sair do carro.

Um chá bebido sem telemóvel.

Cinco minutos a observar o céu.

Uma caminhada onde o objetivo não é chegar depressa, mas sentir os pés a tocar a terra.

São momentos simples.

Mas têm o poder de nos lembrar que estamos vivas.

 

A natureza ensina-nos a parar

Repara numa árvore.

Ela não tenta florescer o ano inteiro. Também não pede desculpa quando chega o tempo de recolher.

A natureza vive ao ritmo dos seus ciclos.

Nós fomos ensinadas a fazer o contrário. A continuar, mesmo quando o corpo pede descanso. A produzir, mesmo quando o coração pede pausa.

Criar momentos de silêncio é uma forma de regressar ao ritmo natural da vida.

 

Uma prática simples para hoje

Experimenta fazer isto.

• Escolhe cinco minutos do teu dia.

• Desliga as notificações.

• Senta-te confortavelmente.

• Fecha os olhos.

• Respira sem tentar mudar nada.

Apenas observa.

Como está o teu corpo?

Como está a tua respiração?

Como está o teu coração?

Não procures respostas perfeitas. Apenas disponibilidade para ouvir.

Talvez descubras que aquilo de que mais precisavas hoje era exatamente este encontro contigo.

 

O silêncio como caminho

No xamanismo, aprendemos que a natureza fala constantemente.

Mas só conseguimos ouvi-la quando também criamos espaço dentro de nós.

O mesmo acontece com a nossa intuição. Ela não grita. Sussurra. E é no silêncio que voltamos a reconhecê-la.

Talvez não consigas mudar toda a tua rotina amanhã, mas talvez possas oferecer-te cinco minutos.

Às vezes, é tudo o que basta para começares a regressar a ti.

 

Queres aprofundar esta prática?

Criar momentos de silêncio torna-se mais simples quando existe um espaço dedicado para isso.

Nas aulas de Meditação & Movimento Consciente, encontras práticas guiadas que combinam meditação, respiração e movimento suave, ajudando-te a regressar ao teu corpo, acalmar a mente e cultivar uma presença mais consciente no dia a dia.

Conhece as aulas de Meditação & Movimento Consciente aqui.

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