Episódio disponível em áudio no Spotify.

Quando falamos em viver de acordo com os ciclos da natureza, é fácil imaginar que estamos a falar apenas das estações do ano. Da primavera, do verão, do outono e do inverno. Mas, dentro do xamanismo, esta ideia vai muito mais longe.

A natureza não muda apenas à nossa volta. Muda também dentro de nós.

Basta olhar para a forma como atravessamos a vida. Existem períodos em que tudo parece crescer com facilidade. Outros em que sentimos necessidade de parar, reorganizar prioridades ou deixar partir aquilo que já não faz sentido. Há momentos de entusiasmo, de recolhimento, de clareza e também de dúvida.

Nem sempre gostamos destas mudanças. Vivemos numa sociedade que nos convida a produzir de forma constante, como se fosse possível manter o mesmo ritmo durante todo o ano. No entanto, basta observar uma árvore para perceber que essa expectativa não faz parte da ordem natural das coisas.

Nenhuma árvore floresce durante doze meses seguidos.

Nenhum rio corre sempre com a mesma força.

A terra também descansa.

Talvez nós também precisemos desse descanso.

No xamanismo, a natureza não é apenas um cenário bonito. É uma das maiores professoras.

Ao observarmos os seus ciclos, começamos a compreender os nossos. Deixamos de interpretar cada momento de pausa como um fracasso e passamos a reconhecê-lo como uma fase necessária do processo.

Foi esta forma de olhar para a vida que deu origem à Roda Medicinal.

Ao longo do ano, cada direção, cada estação e cada elemento convidam-nos a desenvolver determinadas qualidades. Não porque exista um caminho obrigatório, mas porque a própria natureza nos mostra diferentes formas de crescer.

Há um tempo para iniciar.

Há um tempo para cuidar.

Há um tempo para colher.

E há um tempo para deixar partir.

Quando deixamos de lutar contra estes movimentos, a relação connosco torna-se mais simples.

Já não sentimos a obrigação de estar sempre no mesmo lugar, nem esperamos de nós uma disponibilidade infinita.

Aprendemos a perguntar:

“Em que momento do meu ciclo estou?”

Essa pergunta, por si só, pode mudar muita coisa.

Talvez descubras que não precisas de fazer mais.

Talvez precises apenas de respeitar o tempo em que a vida te convida a estar.

É essa observação que, pouco a pouco, transforma a forma como nos relacionamos com o mundo, connosco e com tudo aquilo que nos rodeia.

 

Convite

No Clube Sabedoria Ancestral, cada mês é inspirado num destes ciclos da natureza.

Ao longo do ano, exploramos a energia de cada estação através de reflexões, práticas, meditações e pequenos rituais que ajudam a integrar estes ensinamentos no dia a dia.

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Durante muito tempo acreditei que a maior dificuldade de quem se aproxima da meditação era encontrar tempo. Hoje penso que, na maioria das vezes, não é isso que acontece.

O que encontro com frequência são pessoas que chegam convencidas de que a meditação simplesmente não é para elas. Experimentaram uma ou duas vezes, sentaram-se em silêncio, fecharam os olhos e, ao fim de poucos minutos, sentiram a cabeça ainda mais cheia do que antes. Levantaram-se com a ideia de que não conseguiram e dificilmente voltaram a tentar.

 

Sempre me perguntei porque somos tão exigentes connosco neste lugar.

 

Ninguém espera aprender uma língua nova numa tarde. Ninguém imagina tocar um instrumento sem antes conhecer as suas notas. No entanto, com a meditação, esperamos sentar-nos pela primeira vez e encontrar imediatamente um estado de tranquilidade que, muitas vezes, nem sabemos descrever.

Talvez porque nos habituámos a imaginar a meditação como um exercício da mente, esquecendo-nos de que vivemos dentro de um corpo.

O corpo guarda o cansaço dos dias, a pressa, as preocupações, as horas passadas em frente ao computador, as emoções que não tiveram espaço para ser vividas. Quando finalmente nos sentamos em silêncio, tudo isso continua lá. Não porque estejamos a fazer alguma coisa mal, mas porque faz parte de nós.

Foi essa compreensão que, ao longo dos anos, transformou a forma como conduzo as minhas aulas.

Raramente começamos pela meditação.

Primeiro damos atenção ao corpo!

Movemo-nos devagar, respiramos com intenção, alongamos as zonas onde a tensão se acumula e permitimos que o ritmo do dia abrande naturalmente. Ou, no caso das aulas da manhã, que o dia comece de forma calma. Não procuramos uma postura perfeita nem um desempenho especial. Apenas criamos condições para que o corpo deixe de pedir tanta atenção.

Quando isso acontece, a meditação deixa de parecer um desafio.

Não que os pensamentos tenham desaparecido, mas porque já não ocupam todo o espaço.

A natureza lembra-nos constantemente que nada acontece antes do seu tempo. Uma árvore não floresce porque alguém lhe pede. Primeiro cria raízes, fortalece o tronco e só depois abre espaço para as flores.

Também nós precisamos desse tempo!

É por isso que gosto da expressão Movimento Consciente. O movimento não é um aquecimento antes da meditação, nem um complemento da aula. Faz parte da prática. Ajuda-nos a reconhecer o corpo como um aliado e não como um obstáculo.

Ao longo das semanas, muitas pessoas descobrem que afinal conseguiam meditar. Apenas precisavam de encontrar uma forma que respeitasse o seu ritmo.

É esse o propósito destas aulas: criar um espaço onde cada pessoa possa regressar a si própria sem a pressão de corresponder a uma ideia de como a meditação deveria ser.

 

Se sentes curiosidade, mas continuas a acreditar que “não consegues meditar”, talvez não seja a meditação que precise de mudar.

Talvez apenas ainda não tenhas encontrado a forma certa de começar.

 

Convite

As aulas de Meditação & Movimento Consciente decorrem online, em direto, e também podem ser acompanhadas posteriormente através da gravação.

Se procuras uma prática simples, que respeite o ritmo do teu corpo e que possa ser integrada no teu dia a dia, será um gosto receber-te.

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Há momentos em que a vida parece perder a clareza.

Os dias sucedem-se, as decisões acumulam-se e, apesar de fazermos tudo o que está ao nosso alcance, permanece uma sensação difícil de explicar. Não é propriamente tristeza, nem medo. É antes a impressão de que nos falta compreender alguma coisa.

Por vezes, essa sensação surge quando uma relação termina. Noutras ocasiões, acompanha uma mudança inesperada, uma perda, um conflito ou uma escolha que tarda em revelar o seu sentido. Há também momentos em que, aparentemente, está tudo bem. E, ainda assim, sentimos que algo dentro de nós pede atenção.

É curioso como, nessas alturas, a pergunta costuma ser sempre a mesma.

“Porquê?”

Porque aconteceu isto?

Porquê agora?

Porquê comigo?

São perguntas profundamente humanas. Procuramos uma explicação que organize aquilo que estamos a viver e devolva algum sentido ao que parece disperso. Nem sempre, porém, a resposta surge através da razão.

Há experiências que só começam a ganhar significado quando deixamos de tentar controlá-las e nos permitimos observá-las de outro lugar.

Foi isso que a natureza me ensinou.

Quando uma árvore perde as folhas, ninguém imagina que esteja a falhar. Sabemos que aquele momento faz parte de um ciclo maior. Não conhecemos exatamente o tempo de cada transformação, mas confiamos que existe um ritmo que a sustenta.

Talvez connosco aconteça o mesmo.

Nem tudo o que vivemos pode ser compreendido de imediato. Há acontecimentos que precisam de tempo para revelar aquilo que vieram transformar em nós. Outros repetem-se até que consigamos olhar para eles com uma consciência diferente.

Ao longo dos anos, fui percebendo que a vida tem uma forma muito própria de comunicar.

Fá-lo através dos encontros que nos surpreendem, das situações que insistem em repetir-se, das perguntas que regressam quando julgávamos tê-las deixado para trás. Também comunica através daquilo que nos emociona sem explicação ou das coincidências que parecem chegar no momento exato.

Cada pessoa interpretará estes sinais de forma diferente. No xamanismo, aprendemos a recebê-los como convites à observação. Isto, no sentido de cultivar uma escuta mais atenta e não para procurar respostas absolutas.

Essa diferença é importante.

Vivemos habituados a procurar alguém que nos diga o que devemos fazer. No entanto, as respostas que realmente transformam raramente chegam dessa forma. Nascem quando uma palavra, uma imagem ou um símbolo desperta algo que já existia dentro de nós e que, por qualquer motivo, permanecia em silêncio.

É por isso que nunca vi o Oráculo como um instrumento para prever o futuro.

Acredito, antes, que ele cria um espaço de encontro.

Um encontro entre aquilo que a alma já sabe e aquilo que a mente ainda procura compreender.

As cartas não escolhem por nós. Não retiram a responsabilidade das nossas decisões nem prometem certezas sobre o que há-de vir. Oferecem, isso sim, uma perspetiva diferente. Por vezes, basta essa mudança de paradigma para que uma situação se torne mais clara.

Ao longo do meu trabalho, tenho testemunhado momentos muito bonitos.

Há pessoas que terminam uma leitura sem ouvir nada que nunca lhes tivesse ocorrido antes. E, no entanto, saem profundamente tocadas. Não porque receberam uma resposta inesperada, mas porque, pela primeira vez, sentiram que podiam confiar naquilo que já pressentiam.

Talvez seja essa a verdadeira orientação.

Não alguém que indique o caminho, mas algo que nos ajude a reconhecer a direção que, intimamente, já sabíamos existir.

Vivemos numa época em que procuramos respostas rápidas para quase tudo. Talvez, por isso, nos seja tão difícil permanecer junto de uma pergunta durante algum tempo.

E, no entanto, algumas perguntas são férteis. Transformam-nos. Alargam a nossa forma de ver o mundo. Abrem espaço para que a vida nos surpreenda.

Talvez a questão não seja perceber se a vida está, ou não, a tentar mostrar-te alguma coisa. Talvez a verdadeira pergunta seja outra.

Estou disponível para ouvir?

 

Um convite

Se sentes que estás perante uma decisão, um desafio ou um momento de mudança e gostarias de olhar para essa realidade com maior clareza, a Mulher-Oráculo | Leitura do Oráculo pode ser esse espaço de reflexão.

Cada leitura é um encontro único. Não procura adivinhar o futuro nem decidir por ti. É um momento de escuta, de simbolismo e de consciência, onde as mensagens do Oráculo se tornam um ponto de partida para compreenderes com maior profundidade o momento que estás a viver.

Porque, muitas vezes, a resposta que procuramos não está fora de nós. Apenas espera que lhe demos espaço para ser ouvida.

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Há uma pergunta que poucas pessoas fazem a si próprias.

“Quando foi a última vez que me senti verdadeiramente eu?”

Não estou a falar de um momento de felicidade. Nem de um dia de férias.

Falo daquela sensação tranquila de estarmos em casa dentro de nós. De sabermos quem somos. Do que sentimos. Do que precisamos.

Para muitas pessoas, essa sensação vai desaparecendo lentamente, não acontece de um dia para o outro. É, até, quase impercetível.

Até que, um dia, percebemos que já não sabemos responder a perguntas simples.

O que me faz feliz?

O que preciso neste momento?

O que desejo verdadeiramente?

E talvez a pergunta mais difícil de todas:

Quem sou eu, para além dos papéis que desempenho?

 

A desconexão nem sempre acontece por causa de um grande acontecimento

Por vezes, nasce de um trauma ou de uma perda importante.

Mas, muitas vezes, instala-se de forma silenciosa.

Vivemos durante anos a responder ao que é esperado de nós: cuidamos dos filhos, da família, do trabalho, cumprimos horários, resolvemos problemas.

Estamos sempre disponíveis para os outros.

Até que deixamos de estar disponíveis para nós.

Não porque não nos amemos.

Mas porque deixámos de nos ouvir.

 

Quando deixamos de nos ouvir

O corpo começa, muitas vezes, a falar primeiro.

Surge um cansaço difícil de explicar.

Uma irritação constante.

A sensação de viver em piloto automático.

Uma tristeza sem motivo aparente.

Ou aquela impressão persistente de que a vida está a passar… mas nós já não estamos verdadeiramente presentes nela.

Nem sempre estes sinais significam o mesmo, e podem ter diferentes causas. Mas são, muitas vezes, um convite a parar e a perguntar-nos como estamos.

 

O que nos ensina a natureza

Na natureza, nada floresce durante todo o ano.

Há tempo para crescer. Tempo para repousar. Tempo para deixar ir. Tempo para renascer. Vês aqui as estações do ano?

Nós também fazemos parte desses ciclos.

Mas aprendemos a viver como se tivéssemos de produzir constantemente, a dar sempre mais um pouco, a ignorar o cansaço, a adiar o descanso.

Quando nos afastamos dos nossos próprios ritmos, é natural que a ligação connosco também se torne mais frágil.

 

Regressar a ti começa por um gesto simples

Muitas vezes imaginamos que precisamos de fazer grandes mudanças para nos voltarmos a encontrar.

Mas o reencontro começa de forma muito mais simples.

Começa quando páras durante alguns minutos.

Quando respiras profundamente.

Quando perguntas ao teu coração: “Como estou, hoje?”

Sem pressa e sem julgamento. Sem tentar resolver imediatamente aquilo que descobres.

Apenas ouvindo, porque é nessa escuta que começa a reconexão.

 

Um caminho de regresso

No xamanismo, acredita-se que a natureza nos recorda quem somos.

Cada estação.

Cada elemento.

Cada direção da Roda Medicinal.

Tudo nos convida a regressar ao essencial.

Talvez seja por isso que tantas pessoas sentem paz quando caminham numa floresta, observam o mar ou simplesmente se sentam em silêncio junto a uma árvore.

A natureza não nos pede que sejamos diferentes. Convida-nos apenas a recordar quem somos.

E talvez seja exatamente isso que a tua alma esteja a tentar dizer-te.

Continua a tua leitura

Sinto que perdi uma parte de mim. Porque será?

O que é a Medicina Energética? Um caminho de reconexão com a tua essência

Artigo disponível em áudio no Spotify.

 

Há frases que me dizem repetidamente nas sessões.

Nem sempre são ditas da mesma forma, mas o sentimento é muito semelhante.

“Já não sou a mesma pessoa.”

“Sinto que fiquei vazio/a.”

“Parece que uma parte de mim morreu.”

“Não sei explicar… sinto que me perdi de mim.”

Talvez nunca tenhas dito estas palavras em voz alta. Mas, ao lê-las, algo dentro de ti ressoou.

E talvez seja por isso que chegaste até aqui.

 

Quando deixamos de nos reconhecer

Há acontecimentos que mudam profundamente a nossa vida.

A perda de alguém importante.

O fim de uma relação.

Uma doença.

Um acidente.

Um abuso.

O nascimento de um filho.

Anos de sobrecarga, a cuidar de todos menos de nós.

Por vezes, não existe um único acontecimento. É apenas a soma de muitos dias vividos em esforço, em sobrevivência, em silêncio.

Por fora, continuamos a cumprir as nossas responsabilidades. Mas, por dentro, algo parece ter desaparecido.

A alegria já não é a mesma.

A leveza parece distante.

O entusiasmo esbateu-se.

E começamos a perguntar-nos: Onde fiquei eu?

 

Talvez não estejas a imaginar tudo

Vivemos numa sociedade que nos ensina a continuar e a ser fortes. A seguir em frente.

Mas raramente nos ensina a ouvir o que ficou por cuidar.

Aquilo que sentes merece ser ouvido. Mesmo que não saibas explicar. Mesmo que ninguém à tua volta compreenda.

Sentires que já não és a mesma pessoa não significa que haja algo de errado contigo.

Pode simplesmente significar que uma parte tua precisa de ser vista, acolhida e integrada.

 

O olhar do xamanismo

No xamanismo, existe uma compreensão ancestral para esta experiência. Acredita-se que acontecimentos profundamente marcantes podem deixar-nos com a sensação de estarmos fragmentados/as, como se uma parte da nossa essência se tivesse afastado para nos proteger da intensidade da dor.

A esta visão dá-se o nome de Resgate da Alma.

Não significa que a alma desapareça. É uma forma simbólica e espiritual de compreender porque, depois de determinados acontecimentos, tantas pessoas sentem que perderam a ligação consigo mesmas.

Cada tradição xamânica interpreta este conceito de forma própria, mas a essência é semelhante: a cura passa por favorecer um reencontro interior, recuperando vitalidade e sentido.

Trata-se de te reencontrares, de uma forma até ainda mais inteira e consciente.

 

O que significa regressar à tua essência?

Regressar à tua essência não é apagar o passado, nem esquecer o que viveste. É permitir que aquilo que foi interrompido possa continuar o seu caminho.

É voltar a sentir alegria sem culpa.

É recuperar a capacidade de confiar.

É respirar com mais leveza.

É reconhecer-te ao espelho e sentir: “Estou novamente em casa, dentro de mim.”

Este caminho é diferente para cada pessoa. Não existe uma fórmula. Existe disponibilidade para ouvir com atenção plena. Para cuidar e integrar.

 

Como a Medicina Energética pode acompanhar este processo

Na minha prática de Medicina Energética, inspirada na tradição xamânica e no Caminho do Fogo, cada sessão é conduzida de forma intuitiva, respeitando aquilo que cada pessoa traz naquele momento.

Dependendo das necessidades, podem ser utilizadas diferentes práticas, como a leitura do campo energético, harmonização dos corpos energético, emocional, mental e espiritual, ou, quando faz sentido dentro desta abordagem, o trabalho de Resgate da Alma e outras técnicas tradicionais.

Mais do que procurar “corrigir” alguma coisa, este é um caminho de reconexão.

Um convite a regressares à tua verdade, à tua força e à tua essência.

 

Talvez este seja apenas o primeiro passo

Se este artigo despertou algo em ti, talvez não seja por acaso. Talvez não precises de ter todas as respostas hoje. Talvez baste reconhecer que aquilo que sentes merece atenção.

Porque a cura nem sempre começa quando encontramos uma solução. Às vezes, começa no instante em que deixamos de ignorar o nosso próprio coração.

E tu? Alguma vez sentiste que uma parte de ti ficou para trás?

Talvez essa pergunta seja o início de um caminho de regresso a casa.

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