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Vivemos rodeados de estímulos:

O despertador toca.

O telemóvel pede atenção.

As mensagens acumulam-se.

As tarefas sucedem-se.

E, muitas vezes, chegamos ao final do dia com a sensação de que estivemos ocupadas… mas não verdadeiramente presentes.

O silêncio tornou-se raro.

Não apenas o silêncio à nossa volta. Também o silêncio dentro de nós.

 

O silêncio não é ausência

Quando falamos de silêncio, é comum imaginarmos um lugar isolado, sem ruído, longe de tudo.

Mas o verdadeiro silêncio não depende apenas do que acontece à nossa volta.

É um espaço interior.

Um lugar onde, por alguns instantes, deixamos de responder às exigências do mundo para voltarmos a ouvir-nos.

Mesmo que o dia continue cheio. Mesmo que a vida não abrande.

 

Não precisas de uma hora livre

Uma das crenças mais comuns é pensar que cuidar de nós exige muito tempo.

Mas a reconexão começa em pequenos gestos.

Três respirações conscientes antes de sair do carro.

Um chá bebido sem telemóvel.

Cinco minutos a observar o céu.

Uma caminhada onde o objetivo não é chegar depressa, mas sentir os pés a tocar a terra.

São momentos simples.

Mas têm o poder de nos lembrar que estamos vivas.

 

A natureza ensina-nos a parar

Repara numa árvore.

Ela não tenta florescer o ano inteiro. Também não pede desculpa quando chega o tempo de recolher.

A natureza vive ao ritmo dos seus ciclos.

Nós fomos ensinadas a fazer o contrário. A continuar, mesmo quando o corpo pede descanso. A produzir, mesmo quando o coração pede pausa.

Criar momentos de silêncio é uma forma de regressar ao ritmo natural da vida.

 

Uma prática simples para hoje

Experimenta fazer isto.

• Escolhe cinco minutos do teu dia.

• Desliga as notificações.

• Senta-te confortavelmente.

• Fecha os olhos.

• Respira sem tentar mudar nada.

Apenas observa.

Como está o teu corpo?

Como está a tua respiração?

Como está o teu coração?

Não procures respostas perfeitas. Apenas disponibilidade para ouvir.

Talvez descubras que aquilo de que mais precisavas hoje era exatamente este encontro contigo.

 

O silêncio como caminho

No xamanismo, aprendemos que a natureza fala constantemente.

Mas só conseguimos ouvi-la quando também criamos espaço dentro de nós.

O mesmo acontece com a nossa intuição. Ela não grita. Sussurra. E é no silêncio que voltamos a reconhecê-la.

Talvez não consigas mudar toda a tua rotina amanhã, mas talvez possas oferecer-te cinco minutos.

Às vezes, é tudo o que basta para começares a regressar a ti.

 

Queres aprofundar esta prática?

Criar momentos de silêncio torna-se mais simples quando existe um espaço dedicado para isso.

Nas aulas de Meditação & Movimento Consciente, encontras práticas guiadas que combinam meditação, respiração e movimento suave, ajudando-te a regressar ao teu corpo, acalmar a mente e cultivar uma presença mais consciente no dia a dia.

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Há uma pergunta que poucas pessoas fazem a si próprias.

“Quando foi a última vez que me senti verdadeiramente eu?”

Não estou a falar de um momento de felicidade. Nem de um dia de férias.

Falo daquela sensação tranquila de estarmos em casa dentro de nós. De sabermos quem somos. Do que sentimos. Do que precisamos.

Para muitas pessoas, essa sensação vai desaparecendo lentamente, não acontece de um dia para o outro. É, até, quase impercetível.

Até que, um dia, percebemos que já não sabemos responder a perguntas simples.

O que me faz feliz?

O que preciso neste momento?

O que desejo verdadeiramente?

E talvez a pergunta mais difícil de todas:

Quem sou eu, para além dos papéis que desempenho?

 

A desconexão nem sempre acontece por causa de um grande acontecimento

Por vezes, nasce de um trauma ou de uma perda importante.

Mas, muitas vezes, instala-se de forma silenciosa.

Vivemos durante anos a responder ao que é esperado de nós: cuidamos dos filhos, da família, do trabalho, cumprimos horários, resolvemos problemas.

Estamos sempre disponíveis para os outros.

Até que deixamos de estar disponíveis para nós.

Não porque não nos amemos.

Mas porque deixámos de nos ouvir.

 

Quando deixamos de nos ouvir

O corpo começa, muitas vezes, a falar primeiro.

Surge um cansaço difícil de explicar.

Uma irritação constante.

A sensação de viver em piloto automático.

Uma tristeza sem motivo aparente.

Ou aquela impressão persistente de que a vida está a passar… mas nós já não estamos verdadeiramente presentes nela.

Nem sempre estes sinais significam o mesmo, e podem ter diferentes causas. Mas são, muitas vezes, um convite a parar e a perguntar-nos como estamos.

 

O que nos ensina a natureza

Na natureza, nada floresce durante todo o ano.

Há tempo para crescer. Tempo para repousar. Tempo para deixar ir. Tempo para renascer. Vês aqui as estações do ano?

Nós também fazemos parte desses ciclos.

Mas aprendemos a viver como se tivéssemos de produzir constantemente, a dar sempre mais um pouco, a ignorar o cansaço, a adiar o descanso.

Quando nos afastamos dos nossos próprios ritmos, é natural que a ligação connosco também se torne mais frágil.

 

Regressar a ti começa por um gesto simples

Muitas vezes imaginamos que precisamos de fazer grandes mudanças para nos voltarmos a encontrar.

Mas o reencontro começa de forma muito mais simples.

Começa quando páras durante alguns minutos.

Quando respiras profundamente.

Quando perguntas ao teu coração: “Como estou, hoje?”

Sem pressa e sem julgamento. Sem tentar resolver imediatamente aquilo que descobres.

Apenas ouvindo, porque é nessa escuta que começa a reconexão.

 

Um caminho de regresso

No xamanismo, acredita-se que a natureza nos recorda quem somos.

Cada estação.

Cada elemento.

Cada direção da Roda Medicinal.

Tudo nos convida a regressar ao essencial.

Talvez seja por isso que tantas pessoas sentem paz quando caminham numa floresta, observam o mar ou simplesmente se sentam em silêncio junto a uma árvore.

A natureza não nos pede que sejamos diferentes. Convida-nos apenas a recordar quem somos.

E talvez seja exatamente isso que a tua alma esteja a tentar dizer-te.

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