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Há frases que me dizem repetidamente nas sessões.

Nem sempre são ditas da mesma forma, mas o sentimento é muito semelhante.

“Já não sou a mesma pessoa.”

“Sinto que fiquei vazio/a.”

“Parece que uma parte de mim morreu.”

“Não sei explicar… sinto que me perdi de mim.”

Talvez nunca tenhas dito estas palavras em voz alta. Mas, ao lê-las, algo dentro de ti ressoou.

E talvez seja por isso que chegaste até aqui.

 

Quando deixamos de nos reconhecer

Há acontecimentos que mudam profundamente a nossa vida.

A perda de alguém importante.

O fim de uma relação.

Uma doença.

Um acidente.

Um abuso.

O nascimento de um filho.

Anos de sobrecarga, a cuidar de todos menos de nós.

Por vezes, não existe um único acontecimento. É apenas a soma de muitos dias vividos em esforço, em sobrevivência, em silêncio.

Por fora, continuamos a cumprir as nossas responsabilidades. Mas, por dentro, algo parece ter desaparecido.

A alegria já não é a mesma.

A leveza parece distante.

O entusiasmo esbateu-se.

E começamos a perguntar-nos: Onde fiquei eu?

 

Talvez não estejas a imaginar tudo

Vivemos numa sociedade que nos ensina a continuar e a ser fortes. A seguir em frente.

Mas raramente nos ensina a ouvir o que ficou por cuidar.

Aquilo que sentes merece ser ouvido. Mesmo que não saibas explicar. Mesmo que ninguém à tua volta compreenda.

Sentires que já não és a mesma pessoa não significa que haja algo de errado contigo.

Pode simplesmente significar que uma parte tua precisa de ser vista, acolhida e integrada.

 

O olhar do xamanismo

No xamanismo, existe uma compreensão ancestral para esta experiência. Acredita-se que acontecimentos profundamente marcantes podem deixar-nos com a sensação de estarmos fragmentados/as, como se uma parte da nossa essência se tivesse afastado para nos proteger da intensidade da dor.

A esta visão dá-se o nome de Resgate da Alma.

Não significa que a alma desapareça. É uma forma simbólica e espiritual de compreender porque, depois de determinados acontecimentos, tantas pessoas sentem que perderam a ligação consigo mesmas.

Cada tradição xamânica interpreta este conceito de forma própria, mas a essência é semelhante: a cura passa por favorecer um reencontro interior, recuperando vitalidade e sentido.

Trata-se de te reencontrares, de uma forma até ainda mais inteira e consciente.

 

O que significa regressar à tua essência?

Regressar à tua essência não é apagar o passado, nem esquecer o que viveste. É permitir que aquilo que foi interrompido possa continuar o seu caminho.

É voltar a sentir alegria sem culpa.

É recuperar a capacidade de confiar.

É respirar com mais leveza.

É reconhecer-te ao espelho e sentir: “Estou novamente em casa, dentro de mim.”

Este caminho é diferente para cada pessoa. Não existe uma fórmula. Existe disponibilidade para ouvir com atenção plena. Para cuidar e integrar.

 

Como a Medicina Energética pode acompanhar este processo

Na minha prática de Medicina Energética, inspirada na tradição xamânica e no Caminho do Fogo, cada sessão é conduzida de forma intuitiva, respeitando aquilo que cada pessoa traz naquele momento.

Dependendo das necessidades, podem ser utilizadas diferentes práticas, como a leitura do campo energético, harmonização dos corpos energético, emocional, mental e espiritual, ou, quando faz sentido dentro desta abordagem, o trabalho de Resgate da Alma e outras técnicas tradicionais.

Mais do que procurar “corrigir” alguma coisa, este é um caminho de reconexão.

Um convite a regressares à tua verdade, à tua força e à tua essência.

 

Talvez este seja apenas o primeiro passo

Se este artigo despertou algo em ti, talvez não seja por acaso. Talvez não precises de ter todas as respostas hoje. Talvez baste reconhecer que aquilo que sentes merece atenção.

Porque a cura nem sempre começa quando encontramos uma solução. Às vezes, começa no instante em que deixamos de ignorar o nosso próprio coração.

E tu? Alguma vez sentiste que uma parte de ti ficou para trás?

Talvez essa pergunta seja o início de um caminho de regresso a casa.

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